Warning: mysql_fetch_row() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/revista/public_html/revista2011/riv_materias.php on line 113

Warning: Cannot modify header information - headers already sent by (output started at /home/revista/public_html/revista2011/riv_materias.php:113) in /home/revista/public_html/revista2011/riv_materias.php on line 85
Revista Infovias - - Paginas Azuis

Páginas Azuis



Carlos Raimundo Albuquerque Nascimento, 67, é engenheiro eletricista graduado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com pós-graduação em Operação de Sistemas Elétricos e Engenharia de Distribuição de Energia Elétrica pala Escola Politécnica de São Paulo (POLI/USP). Possui também pós-graduação em Administração e Finanças pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEAP/USP), e em economia da energia pela Escola de Pós Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (EPGE-FGV/RJ).Desde 28 de julho de 2010 é diretor presidente da Norte Energia S/A, empresa responsável pela implantação da Hidrelétrica Belo Monte. Iniciou a carreira na empresa Centrais Elétricas do Pará (Celpa), onde ocupou vários cargos, chegando a diretor presidente. Depois, exerceu as mesmas funções na empresa Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte). Nessa empresa, acompanhou a construção das hidrelétricas de Samuel, Balbina e Tucuruí. Carlos Nascimento saiu da Eletronorte em 2008. Em 2010 foi escolhido pelos acionistas do consórcio Norte Energia para presidir a empresa. 

 

 

Revista Infovias: Como foi sua trajetória até a presidência da Norte Energia?
Carlos Nascimento: Eu comecei minha vida lidando com eletricidade, na iniciativa privada, a partir do começo do segundo ano do curso de Engenharia Elétrica. No início do quarto ano da escola de engenharia, ingressei no setor elétrico como estagiário na Força e Luz do Pará S.A., que depois se transformou na Centrais Elétricas do Pará S.A. (Celpa), quando ambas eram estatais. Assumi vários encargos nessa empresa, recebendo do setor elétrico a formação técnica e gerencial voltada para a gestão operativa do setor. Na Celpa, progredi até alcançar a posição de diretor das áreas de engenharia de administração e financeira, tendo chegado ao cargo de presidente interino. Posteriormente, fui para a Eletronorte para ser seu diretor de suprimentos e diretor financeiro entre 1985 e 1990, período da redemocratização do Brasil, com desafios da interligação Norte-Nordeste e nas implementações dos sistemas elétricos da região Norte e das UHEs Tucuruí,  Balbina e Samuel. Quando saí da Eletronorte, em 1990, trabalhei na área socioambiental, coordenando o zoneamento ecológico-econômico do Estado do Pará, e os projetos de criação da Área de Proteção Ambiental de São Geraldo do Araguaia e do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, no Estado do Pará. Tornei-me empresário e, posteriormente, no período entre 2005 e 2008, afastado das funções empresariais privadas, ocupei a presidência da Eletronorte, tendo solicitado em maio de 2008 o meu afastamento, por razões pessoais, uma vez que havia resolvido voltar à minha condição de empresário. Por diversas vezes, tanto na Centrais Elétricas do Pará como na Eletronorte, vivenciei grandes desafios no atendimento das cargas da região Norte, pois o País era, à época, dependente do petróleo e tinha dificuldades com o seu pagamento e com a logística de sua distribuição na região amazônica. 

 

Revista Infovias: O senhor acredita que a crise norte-americana desencadeou algum retrocesso no desenvolvimento nacional?
Nascimento:
Fazemos parte do sistema global e, nesse sistema, as turbulências sempre terminam afetando todos. Graças a Deus, as políticas que foram desenvolvidas e implementadas no Brasil, nos últimos anos, fizeram com que estivéssemos relativamente protegidos dos reflexos da crise norte-americana, iniciada em 2007/2008, mas a genialidade de nossos gestores tanto públicos quanto privados vem propiciando um novo ciclo de desenvolvimento para o nosso país.
Revista Infovias: Como o senhor vê o desenvolvimento do Brasil nos dias de hoje?Nascimento: O futuro do Brasil depende da capacidade dos brasileiros. Os desafios são imensos em uma economia internacional muito vascularizada e com múltiplos interesses, mas hoje nosso país está em um outro patamar, vivencia uma nova fase de desenvolvimento. Temos uma estrutura gerencial, tanto pública quanto privada, muito mais capaz. Gozamos do respeito da comunidade internacional porque nós, brasileiros, estamos definindo nosso destino, seguimos estratégias traçadas por nós, que atendem os nossos interesses de hoje e do futuro. Conseguimos pagar nossa dívida externa e estamos contribuindo com aportes para instituições de fomento global, bem como com novas visões sobre o modo de tratar problemas na questão entre ricos e pobres. Temos um grande banco com capacidade de apoiar o desenvolvimento da infraestrutura de que necessitamos, que é o BNDES. O Brasil vem dando o exemplo de como integrar, mediante vários programas, as pessoas que ficaram à margem do desenvolvimento. O projeto da Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, na região polarizada pelo município de Altamira, no Pará, exemplifica perfeitamente isso.

 


Revista Infovias: Como assim? O senhor pode falar um pouco mais sobre Belo Monte?
Nascimento:
Belo Monte será a maior usina hidrelétrica brasileira. Seu projeto foi orçado em R$ 19 bilhões e alcança diretamente onze municípios do Norte do País, que juntos concentram mais de 360 mil habitantes. É um megaprojeto do ponto de vista da engenharia e de seu alcance socioambiental. Imagine a magnitude da logística necessária à consecução de todas as ações previstas no projeto, incluindo a recuperação das cidades e da qualidade de vida das pessoas que vivem naquela região. Todas as ações do projeto foram elaboradas objetivando mitigar os impactos socioambientais relacionados à sua construção. Belo Monte irá gerar aproximadamente 20 mil empregos, e esperamos que cerca de 70% venham da população do próprio entorno de sua implantação. Podemos pensar que a geração de empregos, em uma região marcada pela pobreza e pela falta de infraestrutura, vai alavancar o progresso daquela região, dando condições mais dignas de vida às pessoas. E isso está avançando, mediante ações coordenadas que envolvem os governos federal, estadual, e Municipal, e grandes agentes da sociedade civil, como empresários e lideranças de movimentos sociais, com conhecimento dos problemas da região.


Revista Infovias:  Por que a usina Belo Monte não foi construída anteriormente?
Nascimento: O setor elétrico sempre procurou atender às demandas de eletricidade com os menores custos possíveis para propiciar um maior desenvolvimento nacional. Nesse sentido, ficamos aguardando o momento mais adequado para aproveitar os recursos da Região Norte, até porque as distâncias para os centros de carga são maiores, implicando em um custo maior de transmissão e de logística. À medida que deixamos as áreas da Amazônia por último, o País foi se modificando. Tivemos na Constituição Federal de 1988 um aperfeiçoamento da legislação muito mais atenta para as mitigações nas intervenções no meio ambiente. Os cuidados com o estabelecido na Carta Magna e nas leis subsequentes redundaram em inúmeros estudos de viabilidade técnica, acordos de cooperação, e estudos socioambientais que impulsionaram muitas adequações do projeto da usina Belo Monte.

 

Revista Infovias: Como funciona o sistema elétrico brasileiro?
Nascimento:
Existe a coordenação geral do Ministério de Minas e Energia. Esse sistema é hidrotérmico, com predominância da hidroeletricidade. Uma coisa que nós, brasileiros, temos de ter em mente é que não existe hoje no mundo um sistema elétrico interligado da dimensão do nosso. O sistema norte-americano, por exemplo, é um sistema interligado por regiões, mas não em todo o país. O Sistema Interligado Nacional (SIN) caracteriza-se pela interligação de detentores de concessões, autorizações ou permissões, que integram os subsistemas Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Essa operação integrada, que vem sendo expandida ao longo do tempo, exige uma capacidade do ponto de vista do conhecimento técnico e gerencial, e do aperfeiçoamento contínuo. Isso requer uma competência extraordinária, e isso devemos nos orgulhar de ter no Brasil.


Revista Infovias: Esse sistema é novo? 
Nascimento:
Uma integração dessa magnitude não se faz da noite para o dia. Ela precisou ser pensada desde a sua gênese. Na realidade, nos idos da construção da Eletrobrás, em 1962, e do Ministério de Minas e Energia, um número bastante expressivo de especialistas pensou nesse tipo de integração. Ao longo do tempo, as regiões foram sendo paulatinamente interconectadas entre si. Hoje, técnicos de diversos países interagem com os nossos especialistas para aprender um pouco mais sobre o nosso Sistema. O Brasil tem o privilégio de transmitir esse saber para outros povos.


Revista Infovias: O Brasil está integralmente coberto pelo Sistema Interligado Nacional?
Nascimento:
Nosso sistema cobre uma área equivalente a 90% da Europa. Brevemente, o sistema estará operando integralmente de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil. Há, ainda, Boa Vista, no Estado de Roraima, que não está alcançada pelo sistema, mas em cerca de três anos alcançaremos a integração plena. Por isso, a construção e a operação da UHE Belo Monte é fundamental para que alcancemos a integralidade da cobertura pelo sistema. 


Revista Infovias: Com o funcionamento desse sistema teremos o fim dos apagões?
Nascimento:
Os apagões são em grande parte consequência de falhas técnico-operacionais, falhas em equipamentos, de treinamento e de fatores externos que não foram, muitas vezes, devidamente avaliados. As mudanças climáticas cíclicas ou não, por exemplo, têm proporcionado o aumento do número e da intensidade dos raios que caem em várias regiões do País. Tempestades aumentam significativamente a possibilidade de apagões, principalmente se os equipamentos instalados não forem adequadamente desenvolvidos para suportar esses eventos ou se, por questões técnico-econômicas, um pequeno percentual de eventos de grande intensidade foi considerado como normal. Com o constante aprimoramento da estrutura que compõe o Sistema Interligado Nacional, a ocorrência de apagões será minimizada.


Revista Infovias: Como se pretende que o sistema elétrico brasileiro seja imune aos apagões?
Nascimento:
Isso se faz com o constante treinamento dos recursos humanos envolvidos, com o aprimoramento das normas operativas, da evolução tecnológica, dos equipamentos e com sistemas de acionamentos, controle, supervisão e comunicação da inspeção periódica dos equipamentos e das fiscalizações dos órgãos competentes.  A par disso tudo, há de se investir no parque tecnológico, de responsabilidade dos detentores de concessões, autorizações ou permissões. Os sistemas de proteção de eventos devem ter aprimoramentos contínuos, sendo fundamental a incorporação de novos parâmetros e dispositivos de captura e gestão automática para isolamento da falha, minimizando sua abrangência. A proteção de um sistema da magnitude do nosso SIN é feita em cascata, isto é, se acontece uma perturbação lá na ponta é disparado um mecanismo, que nós chamamos de “seletividade”, o qual permite isolar a área afetada para que ela não contamine o restante do sistema. Esse é o objetivo de um número muito grande de especialistas e técnicos os quais se empenham, dia e noite, para que panes no sistema elétrico não venham a acontecer ou sejam minimizadas. Se, por ventura, algo dessa magnitude vier a ocorrer, será uma falha conjuntural rapidamente corrigida, sempre na busca do aprimoramento operacional do Sistema Interligado Nacional.


Revista Infovias: Quando Belo Monte irá começar a produzir energia? 
Nascimento:
Segundo o nosso Contrato de Concessão, devemos operar nossas primeiras unidades em fevereiro de 2015, conforme nosso cronograma. Até o presente momento, não há nenhum fator que contrarie essa meta. O leilão foi realizado em abril de 2010, tendo como ganhador o Consórcio Norte Energia, que veio a se constituir na Norte Energia S.A., SPE responsável pela implantação do empreendimento. A Licença Ambiental de Instalação foi obtida em 01 de junho de 2011 e as obras estão em andamento. Estamos fazendo alguns ajustes de governança, o que é perfeitamente natural, com a entrada de novos sócios no projeto. Cada vez mais, grupos com maior robustez econômica estão se tornando sócios desse empreendimento, o que demonstra sua crença na rentabilidade que ele proporcionará. Estão convictos de que o projeto Belo Monte ajudará a impulsionar as condições necessárias para que nosso país continue a se desenvolver com respeito ao ser humano e ao meio ambiente.


Revista Infovias: O projeto Belo Monte tem esbarrado com algum tipo de resistência por parte da sociedade? 
Nascimento:
Em alguns momentos, sim. Faz parte da democracia. Algumas pessoas estão no exercício de seu papel de defensores daquilo que a lei estabelece, outras fazem críticas nem sempre construtivas, muitas vezes, aliás, totalmente infundadas. Nem sempre nos procuram para que possamos tecnicamente justificar ou aprimorar nossas ações.  Faz parte do processo de entendimento geral, de uma área de atuação que exige um conhecimento holístico e dos interesses maiores do País, para que possa ser avaliado com isenção.


Revista Infovias: Que tipo de benefícios a Norte Energia proporcionará às comunidades alcançadas pelo projeto?
Nascimento: Os órgãos licenciadores – no exercício de suas competências –, por entender que aquela região apresenta um elevado grau de fragilidade socioeconômica, aprovaram o projeto com algumas condicionantes que teremos de executar, no sentido de proporcionar a melhoria das condições da população da região e de outras pessoas que ainda irão se deslocar para aquela região. São moradias dignas, com acesso a escolas e a áreas totalmente urbanizadas, com saneamento, ruas pavimentadas, com equipamentos públicos de saúde, educação, lazer e segurança, para citar, apenas algumas características. 

 

Revista Infovias: A Norte Energia tem interesse em participar de novos projetos hidráulicos em outras usinas? 
Nascimento:
Participar de outros empreendimentos é uma decisão que caberá, em última instância, ao conjunto de nossos acionistas. Espera-se que os resultados alcançados com a construção da Hidrelétrica Belo Monte sejam altamente motivadores para que a Norte Energia possa continuar impulsionando o desenvolvimento do Brasil.

as mais lidas Siga-nos
as mais lidas Faça parte




Comentários desta matéria:

Warning: mysql_num_rows() expects parameter 1 to be resource, boolean given in /home/revista/public_html/revista2011/riv_materias.php on line 767
Ainda não há comentários, seja o primeiro a comentar!
Deixe seu comentário sobre esta matéria


  1. Dados como e-mail não será publicado no site.

 

 

A Revista Infovias é uma publicação da RIV EDITORA E PUBLICAÇÕES LTDA - 2013